Último dia para ver os retratos da Zona Norte

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Minha vida aconteceu quase que exclusivamente no subúrbio durante muito tempo. Além de morar, era aqui que eu ia à escola e tinha todas as minhas atividades. Grande parte da família também morava por perto e meus amigos eram daqui. Isso fez com que eu demorasse a perceber que, no imaginário do Rio, o subúrbio e os suburbanos não estavam em posição de igualdade com outras áreas da cidade. Felizmente têm surgido um pessoal muito dedicado a mostrar o quão equivocado é restringir a identidade carioca ao entorno da orla. Um dos envolvidos nesse esforço é o blog Zona Norte Etc, que conheci visitando a exposição que está em cartaz até este domingo, 30 de outubro, no Imperator.

A proposta do Zona Norte Etc é mostrar como a moda é interpretada pelas mais diversas personalidades que circulam por essa área da cidade. Desde que entrou no ar, o blog construiu um acervo de fotografias e cerca de 30 delas compõem a exposição Retratos da Zona Norte Etc. São registros de estilos feitos nas ruas e editoriais que documentam a moda e a cultura que emergem daqui.

Um detalhe nada pequeno da exposição que achei altamente enriquecedor foi um vídeo com uma série de análises muito lúcidas sobre o papel do subúrbio e do suburbano na criação da cidade e de sua identidade. Há depoimentos do roteirista Rafael Dragaud, da produtora cultural Gisele Andrade, do idealizador do coletivo Leão Etíope do Méier, o produtor cultural Pedro Rajão, da antropóloga Carol Delgado, da RP da Equipe Duto – Madureira Gessica Justino e do rapper Marcelo Dughettu. Eles falam do morador do subúrbio não como coadjuvante, mas protagonista na criação de moda, cultura, estilo e linguagem, e isso é lindo. Só para rever o vídeo e refletir mais sobre aqueles discursos já voltei à exposição duas vezes, e cogito ir novamente amanhã, como despedida. É um bom programa de domingo.
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