O Méier se despede de um morador apaixonado

Bem vindos ao Grande Méier - peqHá quase dez anos, talvez, meu pai comentou comigo que havia comprado para a minha mãe, no jornaleiro Panno, um livro sobre o Méier. Perguntei se ele poderia comprar um para mim também, mas não havia mais exemplares à venda. Pedi, então, o da minha mãe emprestado, e a verdade é que até hoje não o devolvi.

No meu garimpo de informações sobre o bairro, esse livro me ajudou bastante, porque resgata detalhes de um passado que eu não vi. Chama-se Bem-vindos ao Grande Méier – História, memória e vivência, e foi escrito por Josepha Barbosa Soares e Wilson Pereira Soares, um casal em permanente estado de encantamento pelo bairro.

Um episódio ilustra bem o envolvimento de Josepha e Wilson com o Méier. Em 2 de fevereiro de 2002, eles descerraram uma placa em homenagem a Augusto Duque Estrada Meyer, o Camarista Meyer, em uma área na confluência das ruas Dias da Cruz, Camarista Méier e Barão de Santo Ângelo. A instalação da placa foi um pedido do casal ao Departamento Geral de Patrimônio Cultural da prefeitura. O desejo deles era preservar a memória daquele que emprestou seu sobrenome ao bairro. O Camarista Méier foi camareiro do Paço Imperial, comendador e subdelegado da Freguesia de Inhaúma e sua família era dona das terras que deram origem ao Méier e a bairros vizinhos. A estação ferroviária do Méier foi construída graças à doação dessas terras, o que também possibilitou a abertura de várias ruas na área.

Essas informações sobre o camarista constam da placa que, sinceramente, não sei se permanece no local onde foi instalada.

Nunca conheci pessoalmente o senhor Wilson nem a senhora Josepha, mas as lembranças que eles compartilharam em seu livro me fizeram conhecer mais o meu bairro. O senhor Wilson viveu o Méier e o no Méier por mais de 80 anos, até o seu falecimento, esta semana. O bairro perdeu um morador apaixonado.

 

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