A Estação do Méier e o começo do bairro

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A nova passarela do Méier em 1923. Foto publicada na revista “O Malho” em 2 de julho daquele ano

Chovia naquela segunda-feira. Sem que nenhuma comemoração tivesse sido planejada, a locomotiva Princeza Imperial, que iniciara seu percurso na gare D. Pedro II, chegou pela primeira vez à Parada do Meyer, inaugurando-a. Era o dia 13 de maio de 1889, e o bairro do Méier começava a surgir.

Naquela ocasião, a estrada de ferro ainda levava o nome do imperador – a República só seria proclamada em novembro -, e a locomotiva havia sido assim denominada em homenagem à princesa Isabel, que assinara a Lei Áurea no ano anterior. A inauguração da parada marcou a fundação do Méier. A partir daquele dia, o bairro começou a se formar, impulsionado pelo trem, que hoje o corta ao meio, estabelecendo o lado de cá (da estação) e o lado de lá.

O prédio da atual Estação do Méier não é mais o original. Quando foi inaugurada, como parada, havia apenas uma construção modesta em madeira e uma plataforma pequena. Até 1903, os passageiros precisavam caminhar pelos trilhos para chegar à plataforma de embarque. Somente naquele ano a estação ganhou um prédio em alvenaria.

A estação – e, por consequência, o bairro – possui esse nome por ter sido construída em terras que pertenciam à família Meyer. Ao cedê-las, os filhos de Augusto Duque Estrada Meyer, o camarista Meyer, falecido sete anos antes, fizeram a exigência: o nome da parada seria uma homenagem ao pai e nunca poderia ser trocado, sob pena de a doação perder o valor.

Em 27 de fevereiro de 1952, uma quarta-feira, a Estação do Méier foi notícia na imprensa por conta de um grave acidente que deixou muitos passageiros feridos e também causou mortes. No dia seguinte, foi publicado o seguinte relato:

 O desastre ferroviário na estação do Méier

RIO, 28 (Sucursal) – Comunica a Central do Brasil, por intermédio da Agência Nacional:

“A administração da Central do Brasil, pelas investigações preliminares a que procedeu, com respeito ao lamentável acidente de ontem, à noite, na estação do Méier, aponta como responsável pelo desastre o maquinista do trem de Nova Iguaçu, o qual, não respeitando o sinal amarelo, preventivo, avançou o sinal vermelho, adiante, e entrou na reta daquela estação em grande velocidade. O maquinista, após a violenta colisão, abandonou o seu posto, tomando destino ignorado. A administração da Central já solicitou a prisão do referido servidor da Estrada. Dentro de 48 horas, a comissão de inquérito designada para apurar as causas e responsabilidades do fato apresentará o seu relatório à direção da Central.”

 

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