O Méier

O Méier é um bairro do subúrbio carioca. Localizado na Zona Norte da cidade, é sede da 13a Região Administrativa do Rio de Janeiro, que abrange outros 14 bairros: Abolição, Água Santa, Engenho de Dentro, Engenho Novo, Jacaré, Lins de Vasconcelos, Pilares, Riachuelo, Rocha, Sampaio, São Francisco Xavier, Todos os Santos, Piedade e Encantado. Quando se inclui ainda os bairros de Quintino Bocaiúva, Del Castilho e Maria da Graça, essa região da cidade é chamada, popularmente, de Grande Méier.

Sua data de fundação é considerada a mesma da inauguração da Estação do Méier (então uma modesta parada): 13 de maio de 1889. A partir da chegada do trem, o bairro começou a se desenvolver no entorno da estrada de ferro.

Passado

Escravos libertos foram os primeiros habitantes do Méier. Eles se fixaram na região, construindo suas moradias no alto do morro que ficou conhecido como Serra dos Pretos Forros. Escravos fugidos também procuravam abrigo ali, onde ergueram quilombos.

Havia ainda os portugueses. Até o século XVIII, as terras onde mais tarde viriam a surgir o Méier e a região do Grande Méier eram de propriedade dos jesuítas, que nelas criaram engenhos de cana-de-açúcar. Com a expulsão da Ordem da Companhia de Jesus do país, em 1760, por decreto do marquês de Pombal, essas terras passaram para outras mãos. Manuel Araújo, Manuel Joaquim da Silva e Castro e Manuel Teixeira foram alguns desses desbravadores.

O declínio da economia da cana-de-açúcar fez com que os imensos engenhos da região fossem fragmentados em fazendas menores. Uma das propriedades rurais surgidas foi a Quinta dos Duques, pertencente à família Duque Estrada Meyer. É nas terras dessa quinta que hoje se localizam os bairros do Méier, Engenho Novo, Cascadura, Todos os Santos, Cachambi e Del Castilho.

Nomes da família nas ruas

Várias ruas foram nomeadas segundo integrantes da família. No Engenho de Dentro, há a rua Camarista Méier, em homenagem a Augusto Duque Estrada Meyer. Camarista do Paço Imperial, ele tornou-se amigo de D. Pedro II, por quem foi presenteado com as terras, e, mais tarde, emprestaria o sobrenome ao bairro.

Herdeiros de Augusto Duque Estrada Meyer também viraram nome de rua. Há, no Engenho de Dentro, as ruas Maria Paula (filha), Eulina Ribeiro (neta) e Venâncio Ribeiro (marido da neta). No mesmo bairro, houve a rua Francisca Méier (filha), hoje Catulo Cearense. No Méier, há as ruas Carolina Méier (filha), Joaquim Méier (filho), Frederico Méier (filho) e Joaquina Rosa (esposa).

O nome da estação de trem do bairro foi uma exigência da família, que cedeu as terras para a instalação do que, inicialmente, era apenas uma parada. O camarista havia falecido sete anos antes da inauguração e seus filhos quiseram homenageá-lo. Determinaram que a Parada do Méier, hoje Estação do Méier, deveria levar para sempre o sobrenome da família, sob pena de a doação das terras perder o valor.

Tempos modernos

Em 1954, foi inaugurado no bairro o cinema Imperator, com 2.400 lugares. Era, naquela ocasião, a maior sala de cinema da América Latina e um dos pontos de movimentação cultural da cidade. Em 1991, o espaço foi transformado em casa de espetáculos, e assim funcionou até 1996, quando fechou. Em 2012, o Imperator reabriu como Centro Cultural João Nogueira.

Em 1963, os moradores comemoraram a inauguração do Shopping do Méier, na rua Dias da Cruz. É considerado o primeiro do país. Outra peculiaridade do bairro é a presença da Basílica do Imaculado Coração de Maria, a única em estilo mourisco da cidade, nas esquinas das ruas Coração de Maria e Santa Fé. A igreja, elevada à categoria de basílica em 1964 e tombada pelo muncípio em 2009, foi projetada no início do século XX pelo arquiteto espanhol Adolfo de Morales de los Rios, mesmo criador do prédio do Museu Nacional de Belas Artes.

Fontes:

imperator.art.br

Méier e Engenho de Dentro
(Coleção Bairros do Rio, projeto editorial do Sesc Rio)
Editora Fraiha
1998

O Rio de Janeiro de Antigamente

Wikipedia

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