Livros esquecidos no Grande Méier

Crédito da foto: Deriva dos Livros Errantes

Dezenas de livros, a maioria títulos infantis e juvenis, estarão “esquecidos” em diversas ruas de bairros do Grande Méier de 16 a 19 de setembro de 2017. Quer saber onde? O mapa digital indica os lugares. Quem chegar até as obras encontrará também a segunda edição da fanzine Deriva dos Livros Errantes e um marcador de página.

Essa será a segunda ação direta de distribuição de livros que o projeto Deriva dos Livros Errantes organiza na região. Com o tema A criança e o território de brincar, essa nova edição da iniciativa tem o objetivo de discutir a importância de as crianças estarem presentes nos parques e praças dos bairros, brincando, descobrindo e aprendendo.

O projeto é mantido por um morador da região, que conta com o apoio de amigos e de editoras colaboradoras na doação de livros. Quem quiser ajudar com obras literárias e gibis pode entrar em contato com o Deriva dos Livros Errantes por meio da página do projeto no Facebook (facebook.com/derivadoslivroserrantes), pelo e-mail derivaerrante@gmail.com ou pelo WhatsApp 21 99675-1307.

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Vai ter música nova no coreto

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Estava tudo certo para começar hoje, 5 de novembro, mas a chuva adiou a estreia do Festival Circuladô, que até o dia 27 vai colocar a música contemporânea carioca em dez coretos do Centro, Zona Norte e Zona Oeste da cidade. O show da banda Mohandas, que estava marcado para abrir o evento, no coreto da Gamboa, na Praça da Harmonia, vai ganhar nova data.

A produtora cultural Julianna Sá é curadora do Festival Circuladô junto com Philippe Baptiste. Ela foi uma das responsáveis pelo Rio Música Contemporânea, no Imperator, e começou a idealizar esse novo projeto em 2014, insatisfeita com a centralização do circuito musical, no que diz respeito à nova música carioca, na Zona Sul da cidade. Veio então a ideia de utilizar os coretos para expandir esse território. Por sinal, eles surgiram na paisagem do Rio, no início do século XX, justamente a função de democratizar o acesso à cultura, até então restrita aos teatro tradicionais.

Em um mapeamento informal, Juliana e o músico Brunno Monteiro saíram em busca dos coretos. Eles percorreram a cidade e os encontraram na Gamboa, em São Cristóvão, Marechal Hermes, Quintino, Realengo, Sepetiba, Vigário Geral, Praça Seca, Méier e Paquetá. Cada um desses espaços receberá apresentações gratuitas de artistas que têm se destacado na produção musical recente da cidade, já tendo tocado até mesmo fora do Rio, mas sem nunca ter se apresentado nos bairros que o festival percorrerá.

No Jardim do Méier, quem subirá ao coreto é a colombo-brasileira Ava Rocha, em 26 de novembro, um sábado. O evento começará sempre a partir das 15h, com o show marcado para às 17h. Aqui é possível ver a programação completa do festival, que tem patrocínio da prefeitura e da Secretaria Municipal de Cultura.

(A linda arte que ilustra este post é de Daniele Pascoaleto, que assina o projeto gráfico do festival.)

Último dia para ver os retratos da Zona Norte

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Minha vida aconteceu quase que exclusivamente no subúrbio durante muito tempo. Além de morar, era aqui que eu ia à escola e tinha todas as minhas atividades. Grande parte da família também morava por perto e meus amigos eram daqui. Isso fez com que eu demorasse a perceber que, no imaginário do Rio, o subúrbio e os suburbanos não estavam em posição de igualdade com outras áreas da cidade. Felizmente têm surgido um pessoal muito dedicado a mostrar o quão equivocado é restringir a identidade carioca ao entorno da orla. Um dos envolvidos nesse esforço é o blog Zona Norte Etc, que conheci visitando a exposição que está em cartaz até este domingo, 30 de outubro, no Imperator.

A proposta do Zona Norte Etc é mostrar como a moda é interpretada pelas mais diversas personalidades que circulam por essa área da cidade. Desde que entrou no ar, o blog construiu um acervo de fotografias e cerca de 30 delas compõem a exposição Retratos da Zona Norte Etc. São registros de estilos feitos nas ruas e editoriais que documentam a moda e a cultura que emergem daqui.

Um detalhe nada pequeno da exposição que achei altamente enriquecedor foi um vídeo com uma série de análises muito lúcidas sobre o papel do subúrbio e do suburbano na criação da cidade e de sua identidade. Há depoimentos do roteirista Rafael Dragaud, da produtora cultural Gisele Andrade, do idealizador do coletivo Leão Etíope do Méier, o produtor cultural Pedro Rajão, da antropóloga Carol Delgado, da RP da Equipe Duto – Madureira Gessica Justino e do rapper Marcelo Dughettu. Eles falam do morador do subúrbio não como coadjuvante, mas protagonista na criação de moda, cultura, estilo e linguagem, e isso é lindo. Só para rever o vídeo e refletir mais sobre aqueles discursos já voltei à exposição duas vezes, e cogito ir novamente amanhã, como despedida. É um bom programa de domingo.